Uma apresentação sem gameplay de GTA 6, e jogadores brigando por um par de controles
Na noite de 3 de setembro, a Sony empurrou quase uma hora de State of Play na cara dos jogadores. Nada de God of War, nada de gameplay de GTA 6, nem um vestígio de Devil May Cry 6 — o chat passou rolando com uma onda de “é só isso?”. Mas no momento em que dois controles estampados com o logo de GTA 6 apareceram, os comentários explodiram mesmo assim — com preço de US$ 84,99. O EGW fez as contas: são US$ 5 a mais que a edição padrão do jogo.
O showcase até que trouxe uma boa quantidade de notícias. Marvel's Wolverine, da Insomniac, soltou seu trailer final de lançamento — chega ao PS5 em 15 de setembro, daqui a apenas 10 dias; Until Dawn 2 está marcado para 28 de janeiro de 2027 como exclusivo de PS5; Metro 2039, da 4A Games, está confirmado para fevereiro de 2027. Fechando o evento veio Final Fantasy VII: Revelation — o final da trilogia, com 10 minutos de gameplay e data de lançamento em 8 de abril de 2027 (fonte: 17173, 2026-09-04). O segmento japonês também não ficou parado: Dragon Ball Xenoverse 3 está datado para 2027, Fate/Extra Record para 28 de janeiro do ano que vem, Gundam Rogue Orbit para 5 de março do ano que vem; a Konami revelou dois novos títulos internos de uma vez, incluindo Rhapsody in Scarlet, um jogo de ação sobre magos na Nova York dos anos 1920. Só olhando a lineup, já dá para mastigar por dois anos.
Mas o que os jogadores vão lembrar é do controle. O próprio GTA 6 não apareceu — sua mercadoria sim: dois modelos DualSense de edição limitada, em preto e branco, à venda em 19 de novembro por US$ 84,99, com pré-vendas abrindo em 10 de setembro. Os colecionadores gritam “vai fundo logo”, os pragmáticos xingam de “puro imposto sobre QI” — o controle não tem nenhum recurso novo, é só uma skin, então por que deveria custar mais que o próprio jogo? Um comentário em destaque ficou na minha cabeça: “Gastar US$ 85 para tocar GTA 6 antes provavelmente é o mais perto que vou chegar dele.” Brutal, e verdade.
Esse evento também carregou um subtexto constrangedor: o comentário mais spammado não era sobre um jogo novo, era “Cadê Destiny 3?”. Mas a Bungie foi exposta em maio justamente por abandonar a franquia Destiny. Os fãs ainda esperam por uma sequência que o próprio criador matou — esse descompasso é ainda mais melancólico que o controle de US$ 85.
Por que GTA 6 mostraria só um controle? Porque a Rockstar nunca solta material no evento dos outros — até o último trailer ela mesma lançou — e tudo o que a Sony consegue é a mercadoria licenciada. Transformar expectativa em produto e colher uma onda de nostalgia primeiro; os dois lados sabem fazer essa conta. Além disso, o PS5 já chegou ao fim do seu ciclo de vida: Wolverine sai em 15 de setembro, quase a última carta exclusiva do ano, então a Sony precisa de hardware de edição limitada para manter o console quente — e, no processo, sondar a tolerância dos jogadores a pagar adiantado por GTA 6. Se o controle vender, o preço do jogo base ganha mais confiança. Não é exatamente genial, mas é esperto o bastante.
Seguindo o fio, a agenda de setembro já está lotada como uma cachoeira: The Blood of Dawnwalker acabou de sair em 3 de setembro, Wolverine assume em 15 de setembro, e o recém-lançado Onimusha: Way of the Sword teve as reviews liberadas — a Game Informer está chamando este mês de “mês pré-pré-GTA VI”. Os grandes estúdios estão todos desviando da janela de lançamento de GTA 6; ninguém quer virar carne de canhão.
Mas preciso jogar um pouco de água fria. Quanto mais animado esse evento, mais ele mostra que o mercado de consoles está se sustentando em IPs existentes e hardware de edição limitada. Já se passaram quase 30 anos desde o primeiro encontro de Final Fantasy VII em Midgar, em 1997, e o Cloud continua lá cortando o Sephiroth; Wolverine, Metro, Until Dawn — todas sequências novas de caras conhecidas. IP novo? Raro como pluma de fênix. Quando a indústria não arrisca, os jogadores só podem continuar pagando pela nostalgia. O controle de US$ 85 é um item de colecionador, mas também um lembrete: o que há de mais valioso nesta indústria está migrando de “nova surpresa” para “velha memória”.
Para ser sincero, eu ainda vou pagar pelo final de Final Fantasy VII — 8 de abril de 2027, desde que não seja adiado de novo. Mas eu também gostaria de um showcase que me fizesse gritar “caramba, o que é isso?”, não um em que eu abro uma caixa de skins de edição limitada. Então fica a pergunta: você vai desembolsar os US$ 85 do controle de GTA 6? Escolha um lado nos comentários do Gghubs e arrisque um palpite de quando finalmente vamos poder jogar GTA 6 de verdade.
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